terça-feira, 18 de março de 2008

Molinete


Molinete
O molinete é um dispositivo destinado a facilitar o arremesso e o recolhimento da linha. Comparativamente, um pescador usando o molinete arremessa a linha muito mais vezes, num mesmo espaço de tempo, do que um com linha de mão, e os lançamentos são muito mais precisos. O pescador habilidoso consegue arremessar a linha exatamente onde ele quer.
Seu funcionamento é relativamente simples; ele é capaz de enrolar a linha num carretel, e mediante o levantamento de uma peça de arame, liberar a linha para sair com facilidade.
No carretel há um dispositivo de fricção que permite que a linha saia do carretel sem levantar a peça de arame. Esta fricção é regulável, e serve para evitar que a linha se parta quando puxada violentamente, e também para cansar o peixe grande, pois ele só consegue levar a linha após fazer uma determinada força, que é controlada por meio de ajuste. Quer dizer, se a fricção estiver frouxa, a linha sai com facilidade, se estiver apertada será necessário uma força maior.
O importante é ter em mente que o molinete é um instrumento destinado apenas a facilitar o manuseio da linha, tanto nos lançamentos como nos recolhimentos, e nunca para fazer força. Se for preciso fazer força, ou para trazer um peixe ou desenroscar a linha, deixe isso para a vara. Proceda assim: Com o molinete travado, puxe a vara para cima, depois abaixe-a e recolha a linha. Repita essa operação até tirar o peixe, ou desengatar a linha.
A manutenção do molinete é simples, basta lavá-lo bem com água doce após o uso, e e nunca usá-lo para fazer força. Quanto a lubrificação interna, não é necessário, pois eles já vêm lubrificados de fábrica, e se você não abri-lo, ele estará convenientemente lubrificado por praticamente toda a vida útil.
Quanto à escolha do molinete, você deve considerar o tamanho da vara, e do bolso.
O tamanho da vara deve ser proporcional ao do molinete, de maneira que se forme um conjunto equilibrado.
Já em relação ao preço, eles se dividem entre os nacionais e os importados. Os importados são melhores e mais caros, mas o inconveniente é que dificilmente se encontra peças de reposição, por isso eu prefiro os nacionais.

Campeonato de Pesca


Campeonato de Pesca
A cidade de Joinville é um dos maiores centros da prática da pesca de arremesso do Brasil. São milhares de praticantes, organizados em equipes, e são inúmeros os campeonatos ou gincanas que acontecem durante o ano, nas praias do estado.
Existem dois tipos de competição: Os campeonatos propriamente ditos, dois quais participam os Clubes de Pesca e as Equipes mais organizadas, e as gincanas ou torneios, abertos a todos, normalmente promovidos por uma empresa ou associação. Estas gincanas podem ser também fechadas, restritas aos membros da organização promotora.
Estes eventos podem ser realizados em uma ou duas etapas. No caso de ser em duas etapas, o normal é uma no sábado à tarde, e outra no domingo de manhã. Excepcionalmente ocorrem eventos como as 24 Horas de Florianópolis, onde a competição é contínua, como o próprio nome já diz.
As equipes podem ser compostas de seis elementos, sendo cinco pescadores e um fiscal, ou então por duplas de pescadores, e existem também os torneios individuais.
O regulamento da competição é decisivo na forma da equipe atuar. Existem regulamentos que privilegiam a quantidade de peixes pescados, outros que privilegiam o peso do peixe. Por exemplo, um regulamento que dá 3 pontos por peixe pescado e mais l ponto por 100 gramas ou fração obrigará a equipe a se concentrar nos peixes menores, em maior quantidade. Por outro lado, um regulamento que dá um ponto por peixe e 3 pontos por 100 gramas ou fração fará a equipe tentar pegar os peixes maiores, ainda que em menor número.
Conhecido o regulamento, a equipe se prepara de acordo, e leva o material mais indicado para o tipo de pesca a que se propõe.
Outro ponto muito importante é a raia que cada equipe recebe por sorteio. Existem locais que têm mais peixes, e a equipe que tiver a sorte de pegar um local assim, já está com meio caminho andado para vencer a competição. Por exemplo, nos campeonatos realizados na Praia Grande, São Francisco do Sul tradicionalmente as equipes vencedoras se localizam nos pontos mais afastados da Enseada.
As equipes chegam antes da hora do início da competição, e usam o tempo para testar os equipamentos, adequando-os às correntes e aos ventos. É nesta hora que se escolhe o diâmetro da linha e o tamanho e tipo da chumbada.
Quando se inicia a competição, sob a orientação de seu Capitão, a equipe procura encontrar a distância ideal para o arremesso, para descobrir onde estão os peixes. Para isso, variam as distâncias, e encontrado o ponto ideal, os pescadores concentram seus arremessos lá. Se por acaso não se consegue definir uma distância ideal, os pescadores costumam pescar da seguinte forma, no caso de serem cinco: O do meio arremessa o mais longe possível, os que estão a seu lado ficam numa distância intermediária, e os dois da extremidade procuram pescar na parte mais rasa, visando os peixes que vêm se alimentar na espuma da onda. Muitas vezes, quando a onda recua, os anzóis podem até mesmo ficar fora da água. Dessa forma, a equipe assume um posicionamento em forma de V, e como nas duas extremidades o arremesso é mais curto, diminui-se a possibilidade de enroscar a linha com a do pescador da equipe ao lado. Deixando de lado a parte técnica da coisa, vale ressaltar que as gincanas de pesca são ótimas ocasiões para a confraternização entre os praticantes da pesca de arremesso. Ri-se muito, conta-se e ouve-se muitas histórias, e trocam-se muitas idéias e experiências entre os pescadores. Sobre isso, poderia escrever um capítulo inteiro apenas falando sobre o que acontece após uma gincana, ou na noite de intervalo entre duas etapas. Acontecem coisas incríveis.
Mas, não se pense que os campeonatos ou gincanas de pesca são apenas ocasiões de descontração e alegria. Às vezes fica sério. Estou falando sobre os Campeonatos oficiais, exclusivos para os Clubes filiados à Federação, onde além de pescar, os participantes têm que mostrar sua perícia em provas de arremesso no seco, sem anzóis na linha, para ver quem tem o arremesso mais longo ou mais preciso. Não posso falar com profundidade sobre estas provas, pois nunca participei, mas que elas existem, existem.
De qualquer forma, participar de um campeonato ou gincana de pesca é uma experiência muito gratificante. Junta-se um grupo de amigos praticantes da pesca de arremesso, escolhe-se um nome, providencia-se um uniforme, e depois é só combinar a estratégia.
Decide-se sobre a alimentação, as bebidas, alojamento dos atletas, transporte, iscas, etc. Depois de tudo combinado, a equipe parte para a competição, donde só pode advir diversão e alegria, pois na pior das hipóteses, se não conseguir classificação, seus integrantes voltarão mais unidos como equipe, e acrescidos em sua parte técnica pelo acúmulo de experiência e intercâmbio de informações, além de terem tido o prazer de participar de mais uma pescaria.

Pescaria de Costão


Pescaria nas pedras

Para pescar nas pedras (pescaria de costão), precisamos levar em consideração os fatores relacionados às condições metereológicas, o equipamento a ser usado, o peixe que desejamos, o ambiente ecológico que vamos explorar e as regras de segurança.
Após as grandes ressacas, muitos alimentos se desprendem das pedras, o que vai atrair os peixes, que apreciam os crustáceos, moluscos, vermes, etc... O vento também deve ser considerado, pois da sua intensidade deduzimos o diâmetro da linha e o peso da chumbada.
O equipamento deve ser adequado. Por exemplo, a chumbada deve ser do tipo gota d’água para não enroscar com facilidade, o tamanho do anzol deve ser compatível com o peixe e a isca.
Os peixes que habitam os costões geralmente têm dentes fortes para quebrar o alimento, e também têm o costume de se abrigar em tocas, por isso, depois da fisgada não devemos dar tempo para que ele se abrigue, pois então fica difícil desalojá-lo. Neste sentido, é bom ficar atento para a fisgada da garoupa, que costuma puxar a isca devagarinho para trás.
As melhores iscas são aquelas que o peixe normalmente encontra naquele lugar. O pescador deve estar preparado para colher as iscas no local da pesca. Para não perder muito tempo, eu costumo levar duas varas, uma iscada com camarão, que é lançada logo na água e fica fincada na espera, enquanto você procura as iscas (mariscos, caramujos, baratinhas, caranguejinhos, vermes, etc...)
Normalmente as pedras que são bastante freqüentadas já possuem suportes de PVC cimentados, que os pescadores fixam antes da pescaria. Não creio que isso seja uma agressão ao meio ambiente, porque não ficam dentro da água e não devem poluir ou contaminar o ambiente. Visualmente, não fica muito bonito, mas, vá lá. São úteis.
Os peixes que você pode esperar no costão são principalmente a garoupa, o badejo, o bodião, a salema,o xarelete,o marimbau, o robalo,o pampo,a miraguaia. Também existem peixes miúdos, como o amborê ou papa-isca, pampinhos, escrivãos, sardinhas, agulhas. e outros, que também podem ser aproveitados como iscas.
Normalmente, o fundo do mar nas costões é cheio de pedras, por isso você deve usar aquelas chumbadas que têm formato hidrodinâmico, e quando recolhidas rapidamente, deslizam sobre a água.. Mesmo assim, esteja preparado para substituir o equipamento, pois a probabilidade de enroscar o chicote é bastante alta, por isso os pescadores dizem que “Quem vai pro mar, se avia em terra...”
Quanto a segurança, todo cuidado é pouco, pois mesmo uma área seca pode ser repentinamente lambida por uma onda inesperada. Por isso, nunca dê as costas para o mar, porque, como dizem os pescadores do Farol de Santa Marta, “O mar é vivo”. E também evite ir pescar sozinho, pois você poderá precisar de ajuda. E fique atento também com o pisar nas pedras, pois um escorregão pode ser até mesmo fatal.
Tomando todas essas medidas, a pesca de costão é muito satisfatória, mas exige perseverança. Leve água, lanche, passe bloqueador solar, e certamente terás algumas horas de relaxante diversão.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Os Crustáceos


Crustáceos
Os crustáceos são os animais que apresentam o corpo revestido por um exoesqueleto ou carapaça chamado crosta ( do latim crusta). Este exoesqueleto é constituído principalmente por uma proteína chamada quitina, que é fabricada pelo próprio corpo do animal. Quando o animal cresce e seu corpo não cabe mais dentro da crosta, esta se rompe, e o corpo produz uma nova carapaça, maior. Este fenómeno é chamado de ecdise.
Para nós, os aficionados das pescarias, os crustáceos que nos interessam são os siris, os caranguejos, os camarões e as lagostas. Neste capítulo, vamos ter uma visão geral destes animais, e depois vamos nos concentrar na pescaria e na preservação de cada um deles.
Estes quatro grupos apresentam todos eles, cinco pares de patas, por isso são classificados como Crustáceos Decápodes. Os crustáceos decápodes podem ter o corpo ( ou rabo) curtos ou compridos. São então chamados de braquiuros ou macruros.
Já podemos então classificar como crustáceos decápodes braquiuros os siris e os caranguejos, e como crustáceos decápodes macruros os camarões e as lagostas.
Há quem confunda siris e caranguejos, mas eles são facilmente diferenciados. Os Braquiuros todos possuem o quinto par de pernas, o da frente, transformados em garras, mas os siris apresentam duas garras do mesmo tamanho, e os caranguejos apresentam uma grande e outra pequena. Também os caranguejos podem voluntariamente sair da água, podendo sobreviver dias, até meses. Os siris morrem em poucas horas se retirados da água. Os siris apresentam o primeiro par de patas, o de trás, transformados em pequenas pás que lhes servem de nadadeiras, os caranguejos apresentam quatro pares de patas adaptados à locomoção sobre o solo. Afora isso, há também diferenças na alimentação. O siri alimenta-se exclusivamente de carne, podendo caçar, ou se encontrar uma carcaça qualquer, não a desdenha, mesmo que já esteja em decomposição. Já os caranguejos alimentam-se de carne, e também de folhas e frutos que encontram pêlos mangues.
Quanto às diferenças entre camarões e lagostas, a principal é que as lagostas possuem o par de patas da frente transformados em garras ou quelíceras, que servem para apreensão dos alimentos. Note-se que o chamado camarão ferro, ou pitu, pertence ao grupo das lagostas, pois possuem quelíceras.

Camarão no Facão


Camarão no facão
Alguns amigos riram muito, como se eu tivesse acabado de contar uma piada, quando lhes contei que era possível pegar camarão usando um facão e uma lanterna. Alguns dias depois, tive a oportunidade de demonstrar isso ao vivo e em cores, e eles não riram mais, pois contra fatos não há argumentos.
Claro, que usando um facão você não vai conseguir pegar quilos e quilos de camarão, mas, para capturar umas iscas para o outro dia, vocês vão ver que é bastante fácil, e rápido. Inclusive, com a prática, logo se descobre que até é possível capturá-los vivos, apenas com a mão.
Primeiro, precisamos compreender o funcionamento do camarão. Ser preferencialmente marinho, também pode ser encontrados em águas salobras, e mesmo algumas espécies conhecidas como pitu, são encontradas em rios, a muitos quilómetros do mar. Zoologicamente, são classificados como Crustáceos, Decápodes, Macruros. Como a maioria dos seres articulados, costumam ser mais ativos à noite. Alimentam-se de detritos animais e vegetais, e alguma caça miúda. Podem ser cevados em determinado lugar, mediante a colocação de uma isca especial para eles, chamada Engodo. Mas isso não será tratado aqui. O principal é saber que estes animaizinhos costumam passar o dia escondidos na areia, onde se enterram, deixando para fora apenas os dois olhos, que são salientes. Além disso, praticamente todos os animais aquáticos apreciam comer camarão, pôr isto ele se tornou um animal arisco, e desenvolveu algumas defesas . Entre elas, a capacidade de imitar a cor do fundo de areia onde ele se encontra, e a habilidade em dar seguidos saltos sobre a água, usando os músculos da cauda, o que lhe permite cobrir rapidamente distâncias consideráveis, para um camarão, é claro. Com três ou quatro pulos, ele consegue se distanciar alguns metros do perigo. Fora isso, usando suas dez perninhas, ele nada pela água, mais lento que qualquer peixe.
Então, ao se sentir ameaçado, o camarão pula sobre a água para se afastar do perigo, ou então enterra-se na areia, na esperança de não ser mais visto. Só que, ao fazer isto, ele deixa os dois olhos de fora, e quando atingidos pôr uma luz forte, como a da lanterna, seus olhos brilham em tons de vermelho, ficando bem visíveis. É este o momento para pegá-lo com o facão. Você sabe que para trás daqueles olhos brilhantes se encontra o corpo do camarão. Então, cuidadosamente, introduza a lâmina do facão na água, para neutralizar o efeito da paralaxe, e posicione a lâmina bem em cima da posição dos olhos, e abaixe repentinamente o facão, de forma a cortar a cabeça do camarão. Depois é só juntar o corpo e guardar num saco, no bolso ou no samburá, conforme o caso.
Se você deseja pegá-lo vivo, substitua o facão pela mão, o que requer muita prática e agilidade. Mas, se você tiver um puçá de malha fina, fica mais fácil. Basta deitar o puçá sobre o camarão enterrado, e então pegá-lo pôr sobre a malha, que vai estar imobilizando o bichinho.
Os melhores lugares para pegar o camarão são aqueles que não apresentam ondas, pois elas revolvem o fundo de areia, dificultando a visão. Posso citar, em nossa região, as praias de Capri, Paulas, Laranjeiras, Gamboa, do Lixo, como locais onde eu pessoalmente já peguei camarões usando este método.

Baiacu


BAIACU
Valho-me do meu "Dicionário dos Animais do Brasil", de Rodolpho von Ihering para situar zoologicamente o baiacu. E peixe do mar, da ordem dos Plectógnatos, Gimnodontes. Gimnodonte quer dizer que em vez de dentes isolados, têm os maxilares guarnecidos de placas. Pode apresentar duas placas inteiriças, em cima e em baixo, e então são chamados Diodontideos. Também há os que tem a placa inteiriça no maxilar superior e duas no inferior, que são chamados Triodontídeos, e por fim os Tetraodontídeos, nos quais as duas placas são divididas ao meio. Existe também uma espécie de água doce, encontradiço no Amazonas, chamado Mamaiacu, dos Tetraodontídeos.
Estas por assim dizer, placas dentais, são afiadissimas e muito fortes. Chegam a cortar a linha sem que o pescador nem mesmo sinta a beliscada. Se você estiver pescando, e de repente a linha do anzol vier cortada, desconfie do baiacu. Só se está garantido usando um empate de aço, e mesmo assim, já vi empate de aço marcado pela dentada do baiacu.
Mas, de qualquer forma, são peixes, e como tais, podem ser pescados, e inclusive contam pontos nos campeonatos de pesca. Aliás, muitos pontos, pois são pesados, e alguns podem atingir 3 palmos de comprimento.
Quanto a comer o baiacu, há controvérsias. Existem os fãs incondicionais do baiacu, e aqueles que o abominam, por ser venenoso. Entre os defensores da carne de baiacu, conheci um senhor, que morreu após comer carne de baiacu, numa pescaria.. Aliás, a única vez que comi carne de baiacu foi em sua casa de praia de Ubatuba, em forma de quibe, sem saber o que era.
Um amigo viu, em Londrina, o baiacu limpo, ser vendido em peixarias, sob o nome de "Cascudinho do Mar". Estavam sem pele, mas conservavam o rabo, que é facilmente reconhecido. A bem da verdade, a carne do baiacu é branca, com pouco espinho, e tem uma aparência bastante apetitosa.
No entanto, sabe-se que o baiacu produz uma toxina que inibe o centro respiratório dos mamíferos, e esta toxina é armazenada na vesícula biliar. O povo fala que o veneno está no fel, e que se o peixe for limpo sem que se rompa o fel, não há perigo. Mas, a literatura a respeito do assunto é bastante controversa. Dizem alguns que há espécies venenosas, outras não. Outros dizem que em certas épocas, como por exemplo, a da reprodução, eles se tornam venenosos. Outros ainda sustentam que depende do jeito de limpar o peixe sem que o veneno contamine a carne. Finalmente, há os que afirmam que todas as espécies são venenosas em determinadas épocas, só que não se sabe quais são estas épocas. Quanto a mim, acho que, se for o caso, não havendo mais nada para comer, devemos comer o baiacu, pois não vejo diferença entre morrer de fome ou envenenado, portanto, vá lá...
Ainda sobre a toxina produzida pelo baiacu, a título de curiosidade. Dizem que no Haiti, os feiticeiros Vodu usam este veneno para produzir o Zumbi. Funciona assim: A vítima é envenenada, e aparentemente morre de parada respiratória, sendo então enterrada. À noite, o feiticeiro vai ao cemitério, desenterra a vítima, aplica-lhe um antídoto, e esta volta à vida com uma lesão no cérebro, devido à falta de oxigenação, tornando-se então um Zumbi.
Agora, quanto à pesca do baiacu, é simples. Ele é muito abundante nas águas das baías onde haja despejo de esgoto no mar. Por experiência, posso afirmar que, quanto mais esgoto, mais baiacu. Por exemplo, na baía de Paranaguá, na Babitonga, em Santos e São Vicente o baiacu é tanto que pega em qualquer isca, e antes que os outros peixes consigam se aproximar.

Ostras


As ostras
As ostras são animais interessantes. Zoologicamente, são classificados como moluscos bivalves lamelibrânquios. Molusco porque são moles, bivalves por possuírem duas valvas ou conchas, e lamelibrânquios porque suas brânquias são em forma de lamelas. É uma estrutura semelhante a uma renda que é visível em toda a circunferência externa do corpo do animal.
As ostras se reproduzem sexuadamente, só que cada animal é alternadamente macho e fêmea. Quer dizer, numa estação de reprodução a ostra produz espermatozóides, na outra produz óvulos.
Elas se alimentam assim: A ostra, dentro da água, entreabre as valvas e vibra as lamelas, fazendo a água passar pelo interior de seu corpo, filtrando cerca de 20 litros de água por hora. Com isso ela retém os nutrientes contidos na água. Não só os nutrientes, mas tudo o que se encontra dissolvido ou suspenso na água, inclusive bactérias e metais, nos casos de água poluída.
Quando a temperatura da água atinge 20 graus Celsius, elas entram em reprodução, e a ostra macho solta espermatozóides na água, que são absorvidos pelas fêmeas, fecundando os óvulos. Então a fêmea expele as larvas, que bóiam na água como parte do plâncton, até atingirem um local de fixação. Uma vez fixadas, ficam naquele local para sempre. A fixação é maior na linha de maré (aquela parte que as vezes está seca, as vezes coberta de água). Só que as ostras que se fixam na linha de maré crescem menos, porque, como já vimos, ela se alimenta filtrando água, e se passar algumas horas por dia sem água, não se alimenta, portanto não cresce.
Resumindo, podemos dizer que na linha de maré a fixação é grande, e o crescimento é pequeno; abaixo da linha de maré a fixação é menor, mas o crescimento é mais rápido, e a ostra se torna adulta com um ano de idade.
Isto é importante no manejo da espécie, pois se formos tirar ostras na linha de maré, e encontramos, por exemplo, uma pedra ou um pedaço de pau coberto de ostras pequenas, basta colocarmos aquela base na água mais profunda, para voltarmos no próximo ano e colhermos ostras grandes.
Agora que já sabemos como vivem as ostras, vamos ver como pegá-las. Existem as ostras que se fixaram nas pedras, e outras que se fixaram nas raízes do mangue. Para tirar as ostras das pedras, o mais recomendado é uma chave de fenda comprida, nos mangues o melhor é um facão. Mas o importante é ter consciência para não acabar com as ostras do lugar, pois se apenas tirarmos e não tivermos cuidado para garantir a sobrevivência e a reprodução da espécie, em breve não existirão mais livres na natureza.
Para preservar, evite colher ostras no verão, pois é o período da reprodução, devido ao aumento da temperatura da água. Não pegue as ostras pequenas, e se for possível, transplante as ostras da linha de maré para a água mais funda, para possibilitar seu crescimento.
Colhidas (ou compradas) nossas ostras, vamos ver como prepará-las. Sabemos que as ostras se transformam num depósito de tudo o que existe na água onde vive, por isso, devemos limpá-las bem antes de comer. Para isso, escove as cascas debaixo da água corrente, para tirar o lodo e as algas. Para limpá-las por dentro, coloque as ostras numa bandeja funda o suficiente, e cubra-as com água limpa do mar ( ou uma solução a 35% de água e sal), tomando cuidado para que uma ostra não encoste na outra, pois elas vão se abrir e começar a filtrar a água limpa, eliminando a sujeira, e quando elas se abrem, movem-se um pouco, e quando a ostra ao lado sentir o mínimo movimento, ela se fecha. Por isso, elas devem ficar afastadas umas das outras. Leve a bandeja ao sol, e em 10 minutos todas elas deverão estar entreabertas, filtrando a água limpa, e expelindo matérias sólidas que estavam retidas em seu corpo. Você logo notará que a água fica suja, então troque-a quantas vezes for necessário, até que a água na bandeja permaneça limpa. Então as ostras estarão prontas para o consumo, sem riscos para a saúde.
Quanto à forma de preparo, a ostra pode ser comida crua, assada na brasa ou na chapa, cozida ou ao bafo, depende da escolha de cada um. Elas são um alimento altamente protéico, e rico em cálcio. Não se recomenda comer mais do que cinco dúzias por pessoa.
Agora que já sabemos alguma coisa sobre as ostras, vamos cuidar para que elas não sejam exterminadas pela ganância e pela ignorância, e incentivar a criação em cativeiro, para que sejam preservados os bancos naturais, que são importantes para o equilíbrio de todo o ecossistema marinho.