
As ostras
As ostras são animais interessantes. Zoologicamente, são classificados como moluscos bivalves lamelibrânquios. Molusco porque são moles, bivalves por possuírem duas valvas ou conchas, e lamelibrânquios porque suas brânquias são em forma de lamelas. É uma estrutura semelhante a uma renda que é visível em toda a circunferência externa do corpo do animal.
As ostras se reproduzem sexuadamente, só que cada animal é alternadamente macho e fêmea. Quer dizer, numa estação de reprodução a ostra produz espermatozóides, na outra produz óvulos.
Elas se alimentam assim: A ostra, dentro da água, entreabre as valvas e vibra as lamelas, fazendo a água passar pelo interior de seu corpo, filtrando cerca de 20 litros de água por hora. Com isso ela retém os nutrientes contidos na água. Não só os nutrientes, mas tudo o que se encontra dissolvido ou suspenso na água, inclusive bactérias e metais, nos casos de água poluída.
Quando a temperatura da água atinge 20 graus Celsius, elas entram em reprodução, e a ostra macho solta espermatozóides na água, que são absorvidos pelas fêmeas, fecundando os óvulos. Então a fêmea expele as larvas, que bóiam na água como parte do plâncton, até atingirem um local de fixação. Uma vez fixadas, ficam naquele local para sempre. A fixação é maior na linha de maré (aquela parte que as vezes está seca, as vezes coberta de água). Só que as ostras que se fixam na linha de maré crescem menos, porque, como já vimos, ela se alimenta filtrando água, e se passar algumas horas por dia sem água, não se alimenta, portanto não cresce.
Resumindo, podemos dizer que na linha de maré a fixação é grande, e o crescimento é pequeno; abaixo da linha de maré a fixação é menor, mas o crescimento é mais rápido, e a ostra se torna adulta com um ano de idade.
Isto é importante no manejo da espécie, pois se formos tirar ostras na linha de maré, e encontramos, por exemplo, uma pedra ou um pedaço de pau coberto de ostras pequenas, basta colocarmos aquela base na água mais profunda, para voltarmos no próximo ano e colhermos ostras grandes.
Agora que já sabemos como vivem as ostras, vamos ver como pegá-las. Existem as ostras que se fixaram nas pedras, e outras que se fixaram nas raízes do mangue. Para tirar as ostras das pedras, o mais recomendado é uma chave de fenda comprida, nos mangues o melhor é um facão. Mas o importante é ter consciência para não acabar com as ostras do lugar, pois se apenas tirarmos e não tivermos cuidado para garantir a sobrevivência e a reprodução da espécie, em breve não existirão mais livres na natureza.
Para preservar, evite colher ostras no verão, pois é o período da reprodução, devido ao aumento da temperatura da água. Não pegue as ostras pequenas, e se for possível, transplante as ostras da linha de maré para a água mais funda, para possibilitar seu crescimento.
Colhidas (ou compradas) nossas ostras, vamos ver como prepará-las. Sabemos que as ostras se transformam num depósito de tudo o que existe na água onde vive, por isso, devemos limpá-las bem antes de comer. Para isso, escove as cascas debaixo da água corrente, para tirar o lodo e as algas. Para limpá-las por dentro, coloque as ostras numa bandeja funda o suficiente, e cubra-as com água limpa do mar ( ou uma solução a 35% de água e sal), tomando cuidado para que uma ostra não encoste na outra, pois elas vão se abrir e começar a filtrar a água limpa, eliminando a sujeira, e quando elas se abrem, movem-se um pouco, e quando a ostra ao lado sentir o mínimo movimento, ela se fecha. Por isso, elas devem ficar afastadas umas das outras. Leve a bandeja ao sol, e em 10 minutos todas elas deverão estar entreabertas, filtrando a água limpa, e expelindo matérias sólidas que estavam retidas em seu corpo. Você logo notará que a água fica suja, então troque-a quantas vezes for necessário, até que a água na bandeja permaneça limpa. Então as ostras estarão prontas para o consumo, sem riscos para a saúde.
Quanto à forma de preparo, a ostra pode ser comida crua, assada na brasa ou na chapa, cozida ou ao bafo, depende da escolha de cada um. Elas são um alimento altamente protéico, e rico em cálcio. Não se recomenda comer mais do que cinco dúzias por pessoa.
Agora que já sabemos alguma coisa sobre as ostras, vamos cuidar para que elas não sejam exterminadas pela ganância e pela ignorância, e incentivar a criação em cativeiro, para que sejam preservados os bancos naturais, que são importantes para o equilíbrio de todo o ecossistema marinho.