domingo, 16 de março de 2008

Pescaria de Siri


Pescaria de Siri
Pesca-se muito siri em Santa Catarina, quer em nível industrial, quer de forma amadora. Não vamos nos aprofundar na pesca industrial, pois o siri é subproduto da pesca do camarão e de peixes, conforme pode ser constatado pela facilidade com que podemos encontrar carne de siri congelada à venda em qualquer peixaria.
O que nos interessa é a pesca artesanal do siri, ótima oportunidade de lazer para as famílias e os amigos, pois além da festa que é a pescaria propriamente dita, a ocasião de preparar e comer o siri reveste-se de uma série de liturgias, que transformam o siri num elemento agregador, contribuindo para o bem estar do Homem, como ser social.
Para pescar, precisamos compreender o siri. Ele é um animal marinho, classificado como crustáceo, decápode, braquiúro. Alimenta-se de carne, portanto esta é a isca. Prefere carne de peixe, mas não enjeita nenhum outro tipo, quer seja tripa de galinha, filé mignon, ou mesmo a dos afogados. A título de curiosidade, cito que em 1973 morreu um cavalo na praia de Capri, São Francisco do Sul. O corpo do desditoso animal foi atirado ao mar, nas imediações do Iate Clube. Nunca se pescou tanto siri naquela área, e camarão também...
Por certo algumas pessoas vão sentir nojo do siri depois dessas informações. Mesmo o grande Jorge Amado já fez isso antes, como se lê, por exemplo, no seu romance "Mar Morto", onde muitos ficam chocados com a descrição dos efeitos da gula do siri no corpo dos afogados que ficam tempo demais no mar. Se considerarmos a Lei de Lavoisier, veremos que isso não tem a menor importância, porque no final, a carne de um animal forma a carne de outro; a famosa cadeia alimentar não tem fim. O leão morto é digerido pela minhoca, que nutre o capim, que nutre o cervo, que nutre o leão, que nutre a minhoca...
Em nossa região, existem três tipos principais de siris: O siri-guaçú, que é azulado e habita as águas próximas aos mangues. O siri da praia, cujo carapaça cinzenta apresenta pinta esbranquiçadas, e o sirí-candeia, de coloração semelhante ao siri da praia, mas que apresenta garras muito mais compridas, encontradiço na praia dos Paulas, em São Francisco do Sul.
Podemos pescar o siri simplesmente com um pedaço de isca amarrado numa linha. O siri gruda nela, e pode ser puxado para fora da água. Este método tem o inconveniente de, se o siri se assustar e largar a isca antes de ser capturado, não será mais possível pegá-lo, porque ele fica esperto.
O método mais usual de pescar o siri é com o uso de puçás. Um puçá consiste num aro de metal fechado com um pedaço de rede, tendo um cabo amarrado. Por medida de segurança, devemos atar à extremidade do cabo uma bóia, para evitar que percamos o puçá se eventualmente o cabo cair na água.
A isca deve ser amarrada na rede que cobre o puçá, e pode ser um peixe ou um pedaço qualquer de carne. Atira-se o puçá na água, e de tempos em tempos, retiramos para ver se algum siri foi pego.
Caso venha o siri, ele deve ser retirado do puçá e metido num saco, que levamos para este fim. Para garantir que sempre existam siris onde pescamos, os indivíduos pequenos e as fêmeas ovadas devem ser devolvidos à água. Além disso, é interessante saber que a garra do siri se regenera, portanto, se você quiser, quando pescar o siri, pode retirar as garras e devolvê-lo à água. Claro que, se retirarmos as duas garras, o animal vai ter alguma dificuldade para se alimentar, mas se ficar desprovido apenas de uma, brevemente estará recuperado, e pode ser pescado de novo.
Para preparar o siri, recomendo colocá-lo vivo na panela com água, sal e os temperos verdes. O siri morto se deteriora rapidamente, por isso, se quisermos comê-lo em outra ocasião, é melhor aferventá-lo primeiro, para depois conservar no freezer ou no congelador.
Certa época do ano, o siri troca de carapaça, devido ao crescimento do corpo do animal. A nova casca leva algumas horas para endurecer, e nesse período ele é conhecido como siri mole. Existe uma receita baiana de moqueca de siri mole, que é mencionada no livro "Dona Flor e seus dois maridos", do já citado Jorge Amado .
Para comer o siri, é preciso uma mesa sem toalha, e alguma coisa para quebrar a casca. Pode ser o cabo de uma faca, mas existem uns martelinhos de madeira específicos para isso. A garra é a parte que tem mais carne. Para retirar a carne da garra e das pernas é preciso quebrar e chupar essas partes do bichinho, o que provoca alguma sujeira e ruídos característicos. É impossível comer siri no escuro, bem como usar garfo e faca para isso. Retirando a carapaça, vamos encontrar carne na inserção das patas. É a musculatura do animal. Existe também um razoável depósito de gordura, e é ela que toma o siri apreciado para fazer sopa. Depois de comer, é preciso juntar todos os caquinhos que sobram, colocar num saco plástico e fechar bem, porque no outro dia ele exala um forte mau cheiro. Geralmente o siri é comido sem acompanhamentos, sendo ele o único prato. Vai bem uma cerveja gelada, ou um vinho branco.
Mas, se você preferir comprar apenas a carne do siri, conforme é vendida nas peixarias e mercados, praticamente não há limites quanto às formas de preparo. Pode-se usá-la para engrossar o caldo de peixe, fazer bolinho, empadas, empadões, casquinha de siri, risoles, e outras coisas que sua imaginação conseguir criar. Além de tudo, é uma carne branca, leve, e de fácil digestão.

12 comentários:

Augusto disse...

Muito bem relatado companheiro. Sou adepto deste tipo de pescaria e adoro siri cozido, inteiro, na água, sal e limão. Realmente a pescaria é um agregador, já que é ótimo pescar em boas companhias. Aquí no ES pescamos o açú e o candeia, também chamado siri-lagosta, que é mais fácil de retirar sua carne. Também existe um prato muito bom chamado múma de siri. Faz-se a moqueca capixaba do bicho partido ao meio e acrescenta-se farinha ao molho originando um pirão. Modestia parte sou especialista na culinária marinha e afirma sem nenhuma sombra de dúvida que a carne do siri está entre as melhores. Parabéns!

Anônimo disse...

Olá,

Apareceu um siri na cozinha da minha casa e não sei o que dar a ele de comer. Não sei como ele apareceu aqui, pois moro em Rio Branco no Acre e aqui como todos sabem não tem mar nem mangezais. Coloquei o siri num aquário vazio que tenho, mais ou menos 50 x 40 x 50cm com pedegrulhos e pedras e uma vazilha com água. Mas não sabia o que ele comia, até então estava dando alface mas não satisfez muito não. Agora vou tentar dar a carne crua, conforme li o informativo. Mas se puderem dar mais dicas agradeceria, por exemplo de quanto em quanto tempo ele se alimenta e também a quantidade. Não tenho a mínima idéia de como este animal apareceu por aqui, e não tenho coragem de jogá-lo para fora de casa.

Aguardo retornos.

Gorete Lucchesi

Anderson disse...

Ao amigo Antônio: Tenho uma sugestão pra lhe dar, bota ele na panela, me convida pro jantar, que eu levo a cerja gelaaaaaaada.

natan disse...

eh verdade eu moro em sao frncisco do sul e ate hoje na praia do capri eh o melhor lugar ara se pegar siri npo paulas eu fui e naum tem muito soh a noite so um pegador de siri e carangueio

giovanni uggioni disse...

Ola,morro em criciuma sc,pesco senpre de tarrafas,no mar e na foz do rio Ararangua.Em muitas tarrafadas vem o bichinho que quando pequeno....mas grande aproveito.Ele puro ou com tenperos para por no pao,ensopado....tanbem tem um jeito facil de pescar ele,e pegar uma Peneira amarar nela resto de peixe ou carne jogar no rio lagoa etc e depois de minutos puxar devagar.Pode crer Ciri nao vai faltar.boa sorte a todos e feliz pescadas.meu blog WWW.SONA-PESCARIA.BLOGSPOT.COM

GIOVANNI UGGIONI disse...

A E TEM UM PROBLEMA,O NOME DELE FOI COLOCADO ERRADO,PORQUE BOTARAM SIRI,MAS DEVIA SER SE CHORASE,PORQUE NAO PARA DE MORDER.

Juarez Prado Córdova disse...

Parabéns amigo: ótima matéria sobre o Siri "nosso de cada dia". Depois disso, devo convidar minha esposa para compartilhar uma pescaria de siri. Aqui em Balneário Camboriú tem bastante deles.
Saúde e Felicidades.

Anônimo disse...

Hoje pela manhã fui com minha esposa pegar siri na boca da barra, em Barra Velha/SC, porém nãopegamos nada. E olha que fomos no mesmo lugar que meu vizinho havia ido a dois dias atrás e ele pegou seis dúzias. Será que é porquê esfriou muito ou eu que sou pé frio?.rsrsrs.
Abraços,
João Batista Rosa.

Juarez Mendonça disse...

Bem escrito a sua dissertação mas permita-me uma pequena correção: Esta história que as garras do siri se regeneram é lenda.
Sem a sua defesa ele emagrece e morre na maioria das vezes.
Abraços
Juarez Mendonça

Anônimo disse...

E verdade que pra vender só a carne do siri os pescadores chupam o siri nas pernas e gospem de volta. ?vi em uma reportagem e nao acreditei descobriram que estAvam fZendo isso?

Carlos Costa disse...

Moro em Maria Farinha, litoral norte de Pernambuco. Pesco Siri justamente na divisa do encontro do Rio Timbó com o mar e digo, é o melhor local para se pegar Siri. Minha isca consiste em tripas de galinha, qualquer abatedouro de galinha joga fora a tripa, por não ser consumível, mas, vou lá e peço uns 2 kilos. Dividindo bem, serve para uns 10 puças. E digo, pego MUITO SIRÍ. Peço muito o Sirí-Açu (O maior, chamado de Srí Azul), além de uma carne deliciosa, o lazer é incomparável. Para preparar dou uma dica:

Todos os temperos vão no liquidificador, menos o coentro. Bato tudo, e quando o Sirí já está no fogo frevendo, jogo o tempero e o coentro. Depois de uns 20 minutos, coloco uma garrafa de 300 ml de leite de coco. Preparado o Sirí, além do mesmo, pode se fazer um pirão delicioso. E digo, fica MUITO, mas MUITO bom!

Karla EBD Escola e CI@ disse...

Ola... amei a postagem.
Eu estava querendo comprar a gaiola( não se é este o nome) para pesca-Lo. E depois desta postagem, vou comprar mesmo.
vc disse que é para colocar num saco. Aqui em Bertioga, as pessoas amarram...um em cima do outro, vc sabe como isso é feito?
Outra pergunta... quando sei que ele já está morto?

Como limpo a barrigada?
Gente amei... quero aprender a fazer... se tiverem podem me mandar receitas...um abraço